FABRIZIO ANDRIANI
jun 11 2010

Exposição no Fran´s café

Fabrizio Andriani

Fabrizio Andriani nasceu em São Paulo em 1971, filho de pai italiano e mãe brasileira.

Ainda criança, em 1980, fez sua primeira mudança para Itália indo viver em Gênova onde permaneceu 2 anos. Lá participa e vence os seus primeiros concursos de desenho.

Em 1982, volta a São Paulo onde segue estudando em escola italiana e continua se destacando no desenho.

Em 1986 volta para Itália e começa seus estudos de arte em Pescara no Liceo Artitico Statale, escola que teve entre seus alunos o desenhista Andrea Pazienza

que virá a influenciar o artista na sua primeira fase. Foi aluno de artistas importantes da realidade local, como Dino Colalongo e Albano Paolinelli.

Depois de rápida passagem pelo Brasil, retorna à Itália em 1993 e se estabelece em Gênova onde começa seus estudos na Accademia Ligustica di Belle Arti.

Em Gênova se aproxima da arte mural e se inspira nos muralistas mexicanos. Realiza algumas obras murais em espaços diversos da cidade.

Realiza diversas gravuras com a temática do grotesco e do fantástico. Em 1998, faz intercâmbio e passa seis meses na Inglaterra aonde cursa ilustração e fotografia.

Enquanto isso vai amadurecendo aquela que foi sua fase mais produtiva em terras italianas, os Totens.

Em 2000 faz sua primeira exposição em Gênova no Teatro Politeama Genovese. Em 2001 volta para o Brasil uma semana antes do trágico G8 de Genova.

Em Curitiba trabalha na publicidade por um ano.  Em 2002 vai para Belém do Pará aonde trabalha com projetos de inclusão social através das artes.

Cria a ONG Urbanarte que trabalha com jovens de gangues urbanas utilizando a arte do grafite.

Enquanto isso vai realizando obras pictóricas influenciadas pela realidade local. Foi professor de gravura na Universidade da Amazônia.

Desenvolveu grande amizade com o desenhista em quadrinhos Joe Bennett (Marvel & Dc Comics) com o qual realizou e continua realizando obras.

Desde Março de 2006 está de volta a Curitiba aonde já fez nove exposições cinco das quais individuais.

Outras duas foram em parceria com o amigo Joe Bennett do qual foi curador também. Fundou e é socio da agencia de ilustração ZnorT!

Atualmente é professor de Artes no ensino básico nas Escolas Palmares e Anjo da Guarda.

Em dezembro de 2009 foi convidado para uma exposição em Nova York.

Quatro das cinco obras que foram expostas em Nova York estão presentes nesta exposição.

Quinta Feira, 06 de maio de 2010

Sexta-feira, 11 de junho de 2010

Local: Fran’s Cafe Batel – Gonçalves Dias, 151.

Abertura: Quinta-feira, 6 de Maio, 2010, 19h


abr 27 2010

A irrelevância da crítica de arte

Fabrizio Andriani

A irrelevância da crítica de arte

Do caderno Verso e Prosa de O Globo

A crítica se tornou irrelevante’

Em ‘A grande feira’ Luciano Trigo questiona o sistema contemporâneo de arte

ENTREVISTA Luciano Trigo

Quando começou a expor suas impressões sobre arte contemporânea num blog, em 2007, o escritor Luciano Trigo recebeu muitas reações exaltadas e sentiu, segundo ele, que estava “tocando num ponto sensível”, o das relações da arte com o mercado e as instituições. No fim de 2009 lançou “A grande feira” (Civilização Brasileira), em que sustenta que a arte se mercantilizou, a técnica não é mais importante e a crítica, hoje, está esvaziada.

Suzana Velasco

O GLOBO: “A grande feira” estabelece uma íntima relação entre o mercado e a arte contemporânea.

Mas mesmo obras de artistas mais do que consagrados, como Van Gogh e Gustav Klimt, atingem hoje valores estratosféricos.

O problema seria do mercado ou da arte contemporânea? LUCIANO TRIGO: “A grande feira” não é um livro de crítica de arte, mas um ensaio sobre o sistema da arte hoje, sobre o conjunto de agentes, práticas, instituições e valores que determina que tipo de arte será ou não reconhecido e valorizado.

Isso implica formas de atribuição de valor que fazem obras de matriz conceitual, que reciclam procedimentos de 40 ou até 90 anos atrás (se pensarmos que Marcel Duchamp designou um urinol como obra de arte em 1917), prevalecerem como o mainstream da arte hoje, o que é paradoxal: essa arte que posa de inovadora e transgressora se transformou na arte oficial e acadêmica, pois é ela que se ensina nas escolas. A importância dos artistas mais valorizados hoje, como Damien Hirst e Jeff Koons, reside justamente em valer muito dinheiro, e apenas nisso.

São produtos da mídia e do marketing, feitos para alimentar um sistema dominado unicamente por interesses de mercado, o que não foi o caso de Van Gogh e Klimt.

O livro afirma que a arte contemporânea, diferentemente da arte de outros períodos, está descolada de seu contexto social.

O simples fato de uma foto de Richard Prince ter sido vendida por US$ 1,1 milhão não diria muito sobre nosso tempo? TRIGO: Diz muito sobre o sistema da arte que eu questiono no livro. A foto em questão reproduz a imagem de um anúncio de cigarros, excluindo os letreiros.

Qualquer adolescente pode ter uma ideia parecida. Onde está a arte? Isso só acontece porque não existem mais contrapoderes no sistema, que representem um contrapeso aos interesses mercadológicos. Sem contrapoder, a arte vira um vale-tudo, um gabinete de curiosidades bizarras: aparece um artista amarrando um cachorro faminto num canto da galeria, outro implantando uma orelha no braço, outra filmando um ato sexual com um colecionador, pago por ele…

Isso vem embalado num discurso pretensamente sofisticado.

Se a gente considerar que os traços marcantes de nossa época são a reciclagem e o cinismo, então essa arte é representativa.

Mas não acho que seja assim.

O livro fala de uma “desestetização” da arte atual. Ferreira Gullar costuma dizer que, após as vanguardas, as artes plásticas não conseguiram recuperar sua linguagem, como a literatura depois de Joyce, por exemplo.

Você concorda com isso? TRIGO: A desestetização não é um problema. As últimas vanguardas modernas, nos anos 1960 e 70, expandiram o campo da arte propondo autênticas formas de libertação das convenções vigentes. O problema começa quando formas de expressão artística que nasceram para contestar as instituições e o mercado, como as primeiras obras conceituais, as instalações e os happenings, são reapropriadas e enquadradas pelas instituições e pelo mercado, realimentando um sistema que aproxima a arte da indústria do espetáculo e da moda. O paralelo com a literatura é complicado, mas Gullar tem razão no sentido de que copiar Joyce hoje não teria qualquer relevância, enquanto nas artes plásticas as pessoas copiam Duchamp, designando literalmente qualquer coisa como obra de arte, e apresentam isso como algo novo.

Na história da arte, multiplicamse os casos de grandes artistas que foram incompreendidos e massacrados pela crítica.

Qual o risco de se cometer esse erro ao se generalizar que na arte contemporânea tudo vale? TRIGO: Esse raciocínio leva ao imobilismo. É um argumento que protege de antemão qualquer bobagem que se apresente como arte. Também podemos pensar que o sistema da arte, tal como funciona hoje, está massacrando milhares de artistas incompreendidos, que não compactuam com o estado das coisas e por isso não têm espaço, nem nas galerias nem na mídia.

Ao analisar a pluralidade de meios das quais a arte contemporânea se serve, você afirma que meios tradicionais, como a pintura e a escultura, são hoje rejeitados, e que o saber fazer não importa mais. Excelentes pintores de carreira recente, como Lucia Laguna e Eduardo Berliner, fizeram aula de pintura e têm técnica apurada.

Não seria leviano afirmar que “os próprios professores dizem que saber pintar é bobagem”? TRIGO: Sei de muitos professores que dizem isso, e estudantes do Brasil inteiro já me enviaram mensagens reclamando que as faculdades não ensinam mais técnica. Recebi um e-mail de um artista dizendo que viu bons pintores na faculdade desistirem de seu talento para empilhar caixinhas e rotular objetos. Até mesmo um curador de uma recente Bienal de São Paulo já falou com deboche dos “quadros na parede”. Então não acho leviano. Mas fico feliz por existirem artistas como Lucia Laguna e Eduardo Berliner, cujo trabalho aprecio muito.

Você se concentra em nomes como Damien Hirst e Jeff Koons, cita poucos artistas brasileiros no livro. Mas em diversos momentos afirma que o valetudo da arte mundial se repete no Brasil. Não seria importante citar casos de obras brasileiras para exemplificar suas afirmações? TRIGO: Não me apresento como crítico de arte. Meu gosto pessoal não tem a menor importância.

Então posso afirmar que todos os artistas brasileiros contemporâneos, num contexto de arte globalizada, estão inseridos no sistema que analiso. Mesmo os artistas de que eu gosto — e gosto de muitos. Não escrevi o livro para criticar este ou aquele artista, mas para levantar um debate que me parece necessário sobre o sistema da arte, e que lá fora é travado com intensidade.

Querer transformar esse debate num ataque generalizado aos artistas é fazer uma leitura torta do livro.

O livro decreta a morte da crítica hoje no Brasil, que estaria submetida ao mercado e ao sistema de arte. Por que a crítica chegou a esse estado? TRIGO: Este é um ponto capital.

Caberia à crítica atuar como um contrapoder dentro do sistema da arte, mas ela se tornou irrelevante, porque os críticos trocaram o papel de julgar pelo de testemunhar. O papel da crítica foi esvaziado, e o dos curadores, inflado. Como disse Waltercio Caldas, o curadorismo foi o último “ismo” do século XX.


abr 27 2010

É de fama e dinheiro que se trata a arte?por Luciano Trigo, Folha de São Paulo

Fabrizio Andriani
É de fama e dinheiro que se trata a arte?, por Luciano Trigo, Folha de São Paulo
Texto de Luciano Trigo, originalmente publicado na Folha de São Paulo, no dia 19 de novembro de 2007.
O sucesso hoje não depende só do valor intrínseco de uma obra, mas sobretudo da capacidade do artista de se inserir nas regras do mercado.
Duas exposições recentes, uma no Rio e outra em São Paulo, sugerem interessantes questões sobre os rumos da arte contemporânea. Na instalação “Ainda Viva”, a paulista Laura Vinci espalhou 7.000 maçãs sobre uma mesa de mármore branco e o chão de uma galeria; “Quebra-Molas”, da carioca Débora Bolsoni, reproduziu um redutor de velocidade feito com uma tonelada de massa de paçoca de amendoim. As duas têm em comum a deliberada efemeridade e o recurso a comestíveis como matéria-prima.
Solicitado por uma revista a comentar as duas exposições, o poeta e crítico de arte Ferreira Gullar afirmou: “Essa produção vai morrer aí. Trata-se da arte da boa idéia, da Caninha 51. [...] Não tem artesanato, não tem técnica, não tem linguagem. Já se usou de tudo: balde, bacia, ovo frito. É uma falta de imaginação, uma grande bobagem que não me interessa. [...] Uma mancha no chão, uma água escorrendo, tudo isso é expressão, mas não é arte”. As artistas se justificam falando da transitoriedade das coisas vivas, de tentativas de simbolização etc.
Arte contemporânea é um tema em que é difícil tornar produtivo qualquer debate, pois sempre se cai num diálogo de surdos, num Fla-Flu, isto é, numa questão de adesão incondicional de torcedor, mais que de reflexão crítica. O que temos hoje são, de um lado, críticos, como Ferreira Gullar e Affonso Romano de Sant’Anna, que contestam a legitimidade e o valor de instalações como as de Laura e Débora, e, de outro, artistas que rejeitam esse julgamento como reacionário.
Menos do que saber quem está com a razão, importa constatar que desse atrito não sai nenhum desdobramento interessante. Por quê? Algumas hipóteses: – Os artistas se tornaram auto-suficientes: ignoram solenemente qualquer crítica que os contesta.
- Os críticos perderam a importância que tinham no processo de legitimação da pro- dução artística. – Hoje, para um artista, importa muito mais se inserir numa rede de relações composta de curadores, marchands e galeristas do que obter reconhecimento crítico.
Valor da arteA noção de valor em artes plásticas é altamente subjetiva.
Mas é também condicionada pelo contexto histórico-cultural e pelo modelo de relação entre economia e cultura que estiver prevalecendo.
O sucesso de um artista hoje não depende somente, nem mesmo principalmente, do valor intrínseco do que ele produz, dos méritos plásticos ou estéticos de sua obra, mas sobretudo de sua capacidade de inserção num “sistema” que funciona cada vez mais segundo as regras do mercado, do consumo e da moda -mesmo quando se veste o surrado disfarce da transgressão.
Pode-se simpatizar com as maçãs de Laura e o quebra-molas de Débora -embora não representem nada novo nem original. Mas é preocupante que esse tipo de produção -desligada da realidade, das questões contemporâneas, de compromissos, da História, do presente, em suma, da vida real- monopolize os espaços da arte hoje. É uma produção que pode até trazer fama, viagens e dinheiro a quem a faz, mas é disso que se trata?
As duas instalações pecam por serem obras inofensivas, fechadas em si mesmas, que não se articulam com nenhum processo exterior a elas próprias. Os artistas têm obrigação de vincular suas obras à realidade? Não. Mas, quando instalações desse tipo se tornam a tendência dominante da arte, fica a impressão de esgotamento e alienação.
Todos os movimentos de vanguarda do século 20 que resistiram à prova do tempo devem parte de seu êxito ao fato de terem mobilizado a sociedade, de estarem associados a transformações sociais, culturais e tecnológicas que tinham um impacto direto na vida das pessoas. Basta pensar na relação do futurismo com a guerra e com velocidade trazida pela máquina ao cotidiano para constatar que o novo não era uma manifestação espontânea e gratuita de gênios individuais.
Mesmo o surrealismo, com seu projeto de libertar a criação de qualquer controle racional, só foi possível num contexto de consolidação da idéia freudiana de inconsciente; mesmo assim, numa segunda etapa, foi associado por André Breton a um projeto político de esquerda -o que é uma contradição em termos, mas confirma o papel do contexto histórico na arte de cada época. Quando Marcel Duchamp expôs um urinol ou desenhou um bigode na Mona Lisa, fez um gesto revolucionário, que rompia com as convenções e abria possibilidades infinitas para a arte. Mas, como todos os gestos fundadores, é irrepetível, porque o contexto já passou: fazer um bigode na Mona Lisa hoje seria apenas ridículo.
Abolidos os cânones, qualquer adolescente é capaz de transgressões parecidas, e as fronteiras entre a criação artística e a empulhação pura e simples se tornam muito tênues. A falência da crítica como fator relevante agrava esse quadro, já que quem legitima o artista hoje é o sucesso em si: se faz sucesso, é bom. Nada mais capitalista. Mas talvez seja mesmo este o destino de todas as artes (a literatura, a música etc), isto é, enquadrar-se numa lógica de mercado ou morrer.
Projeção no mercadoMais grave que a repetição anódina de fórmulas que fizeram sentido na primeira metade do século passado é o esforço, igualmente ultrapassado, de épater a qualquer custo. Como é cada vez mais difícil chocar as pessoas, alguns artistas caem no ridículo, numa tentativa desesperada de ganhar projeção num mercado (pois é) cada vez mais competitivo. Duas obras que nos últimos meses apareceram na mídia são bem representativas desse fenômeno:
1) Numa exposição em Manágua, em agosto passado, o artista plástico costa-riquenho Guillermo Vargas Habacuc amarrou um cachorro num canto da galeria e o deixou lá sem comida, até morrer de fome, diante dos olhos perplexos dos visitantes. Habacuc se justificou: “O importante para mim era constatar a hipocrisia alheia. Um animal torna-se foco de atenção quando o ponho em um local onde pessoas esperam ver arte, mas não quando está no meio da rua morto de fome”.
2) Em outubro, o artista plástico cipriota Stelarc convocou a imprensa para mostrar sua obra mais recente: ele implantou uma orelha no próprio braço. Não satisfeito, ele anunciou que quer implantar um microfone próximo à orelha, para captar o que estiver sendo “escutado”. Será arte?

abr 27 2010

Depois da resposta da Bienal a parte 2 do texto.

Fabrizio Andriani

FERREIRA GULLAR

A pouca realidade 2


A arte contemporânea caracteriza-se não por reinventar a realidade e, sim, mostrá-la


NA CRÔNICA aqui publicada no dia 7 deste mês, disse que a próxima Bienal de São Paulo teria o propósito de nos mostrar aspectos da realidade política e social, por meio de filmes, vídeos e fotografias, conforme li na imprensa. Pareceu-me que, com isso, a Bienal se inseria na tendência chamada arte contemporânea de nos mostrar a realidade em lugar de recriá-la ou transfigurá-la. A curadoria da mostra contestou minha afirmação, alegando que, pelo contrário, pretende “destacar a singularidade da arte em relação ao campo da cultura e se propõe mostrar a relação entre arte e política”. Acrescenta, ainda, concordar com minha tese de que a arte existe porque a realidade não nos basta. Se é assim, tanto melhor. Mas por que fazê-lo por meio do cinema se a Bienal é de artes plásticas?
Quem leu a referida crônica terá percebido que me vali da futura Bienal como pretexto para expor meu ponto de vista, segundo o qual a chamada arte contemporânea caracteriza-se não por reinventar a realidade e, sim, simplesmente, mostrá-la. Esses artistas -se ainda cabe chamá-los assim- têm as chamadas linguagens da pintura, da gravura, da escultura etc., por superadas.
Vou me valer de uma metáfora bem simples. Ao nascermos, porque ainda não aprendemos a falar, somos quase que apenas nosso corpo -um bichinho que apenas gesticula. Depois que aprendemos a falar, tudo muda, já podemos traduzir em palavras o que sentimos e desejamos, e, por meio da poesia, nos inventamos e inventamos a realidade imaginária que amplia nossa existência. Assim também, se me torno pintor, de posse de uma nova linguagem, reinvento a realidade e a transfiguro.
Mas o que sucederia se, por alguma razão, essa linguagem pictórica se desfizesse? Restaria eu, pintor sem linguagem, diante da realidade, agora inalcançável. Cézanne, ao pintar a maçã, não a copia, simplesmente; muda-a em pintura. As garrafas e púcaros dos quadros de Morandi são entes pictóricos, que ele acrescentou ao mundo, o que só se tornou possível pelo domínio técnico e poético da linguagem da pintura. Sem ela, o que faria Morandi, fascinado como era, pelo mistério daqueles objetos? Nos chamaria a sua casa para mostrá-los? Certamente, não o faria por saber que a função do artista não é mostrar a realidade, mas mudá-la. Tanto o sabia que, tendo vivido até 1964, não aderiu às vanguardas que negaram a linguagem da arte.
O que é o “ready-made”, se não a apropriação do que já está feito? O “ready-made” dispensa a linguagem da arte, ou seja, dispensa a arte que, sem linguagem, não existe. Mas Marcel Duchamp, que era artista, dedicou oito anos a fazer o “Grande Vidro” e 12 a fazer o “Étant Donné”, que, aliás, de realidade não tem nada: é puro sonho.
O “ready-made” duchampiano expressa a contradição entre a arte artesanal e a sociedade industrial. É como se Duchamp dissesse: “Nesta época, a arte já era”. E, com isso, o pintor saiu do espaço fictício do quadro para o espaço real do mundo.
No começo, o propósito era criar, nesse espaço, objetos que, de algum modo, aludissem à subjetividade, do artista e do espectador, mas, em seguida, até essa significação estética (isto é, formal) se desvaneceu e ao artista, sem linguagem, só restou a realidade inalcançável.
A performance resulta dessa perda da linguagem: sem ela, sou apenas meu corpo material: lambuzo-me de tinta, me masturbo em público, me corto, fico nu no museu; sim, no museu, porque ficar nu na rua ou em casa não é arte. Tenho que me masturbar na galeria de arte para que a masturbação vire expressão estética. Sem linguagem artística, reduzido a meu próprio corpo, é a instituição -o museu, a galeria de arte- que dá sentido às minhas atitudes e ações.
Por coincidência, naquele mesmo domingo em que abordei aqui este assunto, um jornal do Rio publicou uma entrevista com Marina Abramovic, artista performática que está se exibindo no MoMa. Um dos principais elementos de sua exibição são mulheres e homens nus. Ela fez questão de explicar que não se trata de teatro, “onde tudo é mentira, pois os atores fingem que são personagens e o sangue é tinta vermelha”. Já na performance, é tudo verdade, tudo é real: se houver sangue, é sangue mesmo. E assim ela confirma o que afirmei sobre a arte contemporânea que, ao contrário do que a arte sempre fez, não cria nada: mostra o real. Ou seja, o que já conhecemos e não nos basta. Em matéria de nus mostrados em museus, prefiro o Davi, de Michelangelo, ou a Vênus de Cnido, que, em vez de me constrangerem, me deslumbram.


abr 27 2010

O querido Ferreira Gullar sobre a Bienal de São Paulo parte 1

Fabrizio Andriani

FERREIRA GULLAR

A pouca realidade


A arte existe porque a realidade não nos basta; copiar a realidade é chover no molhado


LEIO QUE a próxima Bienal de São Paulo será tomada por filmes, fotografias e videoinstalações. E não serão filmes de ficção, mas filmes que tratam da realidade política, econômica e social. Essa notícia veio ajustar-se a uma leitura que tenho feito do rumo tomado pelas artes plásticas, segundo a qual tudo o que nelas era fantasia foi substituído pela realidade. O realismo do passado representava a realidade; o de agora mostra-a.
A grande arte inventa o real, subverte-o, enriquece-o mesmo quando se trata de realistas como Corot ou Courbet. Digo que a arte existe porque a realidade é pouca, não nos basta. Copiar a realidade é chover no molhado.
Após o realismo do século 19, veio o impressionismo, de Monet e Renoir, em que a realidade do mundo dissolvia-se em luz e cores vibrantes, que mudavam com o passar dos minutos. Cézanne queria uma pintura menos fluida, mais sólida, mais próxima do real, porém, grande artista que era, terminou por desintegrar as formas reais em manchas, abrindo caminho para o cubismo. Ele dizia que, sem a natureza, não havia pintura, mas, em vez de copiá-la, tratou de mudá-la em sua pintura: a substância das maçãs que pintou é pictórica, não é a mesma da maçã real.
Pois bem, os cubistas inverteram a questão; em vez de partirem da natureza, partiram da tela, dos elementos gráficos e cromáticos para reinventar o real: o cachimbo, que se vê numa natureza-morta de Braque, não existe; ele o inventou. Foi o começo de uma revolução que a tudo subverteu e, o quadro, agora, tanto podia ser pintado como feito de recortes de jornal, fios de arame, barbante, areia, pano colado na tela. Expulso da pintura o objeto natural, tornou-se o quadro o objeto da pintura e, assim, qualquer coisa que se pusesse ali viraria arte. E nasceram a arte Merz (quadros-colagens), de Schwitters; o dadaísmo, de Arp e Duchamp; o suprematismo, de Malevitch; sem falar no neoplasticismo, de Mondrian. Implodida a linguagem pictórica, todos os caminhos se tornaram possíveis, menos a volta à imitação da natureza.
A tendência realista foi consequência da substituição da visão religiosa pela concepção científica e do desenvolvimento industrial. A linguagem abstrato-geométrica da arte levou Malevitch ao impasse da tela em branco, que o fez trocar o quadro pela construção no espaço real. Por sua vez, Schwitters passou a construir o Merzbau, uma “assemblage” tridimensional, que crescia todos os dias, a cada novo elemento que ele trazia da rua. Lygia Clark, décadas depois, no Brasil, diante do mesmo impasse, também abandonava a tela pela construção no espaço real, inventando os bichos e objetos relacionais, que, na verdade, eram pura sensorialidade, ou seja, a expressão reduzida à sua realidade material.
Com a eliminação da referência à natureza e o fim da linguagem pictórica, o quadro, como espaço imaginário, morrera e a matéria da arte passou a ser a realidade “tout court”. A rejeição da arte, como expressão estética, tornou-se a tendência preponderante. Se um artista amarra um cão numa galeria de arte, para fazê-lo morrer de fome e sede, e outro convida pessoas para verem larvas de moscas através de um microscópio, deixam evidente que o que lhes resta é mostrar a realidade, já que, sem a linguagem da pintura, não podem reinventá-la, como a arte sempre fez. E assim são levados a crer que o que vale é o real; arte é mentira. Sim, a mentira mais verdadeira que a verdade, como o sabia Pablo Picasso.
Os estetas e teóricos da arte, como os artistas, sempre entenderam que arte e realidade são coisas distintas, pelo fato mesmo de que a arte-pintura, sendo um modo de expressão, não tem a materialidade das coisas reais. Ao substituir as significações simbólicas pela exposição pura e simples dos fenômenos reais, abre-se mão da capacidade humana de criar um universo imaginário que, durante milênios, contribuiu para fazer de nós seres culturais, distintos dos demais seres vivos que, estes, sim, limitam-se à experiência do mundo material.
Neste contexto, a próxima Bienal de São Paulo muda-se em festival de cinema, fotos e vídeos para nos mostrar a realidade que já conhecemos: a guerra, as penitenciárias, os prostíbulos, os drogados, enfim, o pesadelo redundante, que nos chega diariamente pela televisão e pelos jornais. Ao contrário disso, uma obra de arte como “Noite Estrelada”, de Van Gogh, por exemplo, não é nunca redundante; é sempre atual, é um deslumbramento a mais no mundo. A arte existe porque a realidade não nos basta, sabiam?


abr 27 2010

Segundo Ferreira Gullar.

Fabrizio Andriani

FERREIRA GULLAR

O cachorro como obra de arte
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A arte de vanguarda, que nasceu contra a institucionalização, é refém da instituição
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ANO PASSADO, em 2007, um costarriquenho, que se diz artista e se chama Guillermo Habacuc Vargas, pegou na rua um cão vira-lata, amarrou-o numa corda e o prendeu à parede de uma galeria de arte, onde o animal ficou definhando até morrer de fome. Tratava-se, segundo ele, de uma “instalação perecível”, uma obra de vanguarda. Pois bem, para o espanto das pessoas que já se tinham revoltado com a crueldade de Habacuc, a Bienal de Arte Centro-Americana de Honduras acaba de convidá-lo para dela participar com a referida “obra” e concorrer a um dos prêmios do certame.
Será tudo isso verdade ou apenas uma “pegadinha”? Custa crer que o dono de uma galeria de arte permita que um exibicionista pirado amarre ali um pobre cão e o deixe morrer de inanição. Como se deu a coisa? O animal urinava e cagava preso à parede, ganindo desesperado? As pessoas iam assistir a esse espetáculo de sadismo e ninguém se revoltou nem nenhuma sociedade protetora dos animais protestou? A possibilidade de ter o cão morrido sem que ninguém tenha sabido está fora de questão, uma vez que o objetivo desse tipo de “autor” é precisamente chamar a atenção sobre si, já que nenhum outro propósito pode ser considerado. Mais surpresa causa ainda a notícia de que a Bienal de Honduras o tenha convidado a repetir, nela, aquele mesmo espetáculo de crueldade e sadismo.
Não obstante, essa informação está em vários sites, e surgiu até um movimento de protesto -um abaixo-assinado- para impedir que a Bienal mantenha o convite. Se o que Habacuc queria era escandalizar e ganhar notoriedade, conseguiu, ainda que a notoriedade própria aos torturadores e carrascos.
Não obstante, apesar da repercussão que o cerca, esse fato não é tão novo assim. Sem a mesma dose de cocô e urina nem a mesma animalidade, outras “obras” e atitudes ocorridas antes são reveladoras do impasse a que chegaram a arte dita de vanguarda e as instituições que a exibem, particularmente as Bienais. Uns poucos anos atrás, um gaiato enviou para a Bienal de São Paulo, como sua obra, a seguinte proposta: abrir uma segunda porta na exposição por onde as pessoas entrariam sem pagar. Não podia ser aceita, pois implicaria sério prejuízo ao certame, mas também não poderia ser rejeitada, porque, sendo a Bienal “de vanguarda”, tal rejeição comprometeria sua imagem.
Em face disso, adotou-se a seguinte solução: improvisar, nos fundos do prédio, uma portinha meio secreta, garantida por um guarda que a manteria aberta por apenas uma hora e só permitiria a entrada de dez visitantes, no máximo. E assim as coisas se acomodaram, salvando-se a audácia do artista e o caráter vanguardista da instituição. Pode ser que me engane, mas a impressão que tenho é de uma luta farsesca entre falsos inimigos que necessitam um do outro para existir: sem o espaço institucional (galeria, museu, Bienal), não existe a vanguarda e, sem a vanguarda, não existem tais instituições. E a gente se pergunta: mas a vanguarda não nasceu contra a arte institucionalizada? Pois é…
Voltemos ao cachorro. O tal Habacuc pegou o cachorro na rua e o levou para a galeria de arte a fim de fazer dele uma “instalação perecível”, ou seja, uma obra de arte. Se o tivesse levado para um galpão qualquer e o deixasse lá morrendo de fome, ele não passaria de um pobre vira-lata vítima de um maluco. Mas, como o Habacuc é artista -ou se diz-, levou-o para uma galeria de arte e aí o pobre cão, de cão virou instalação, por obra e graça do espaço em que o puseram para morrer. Esse é um dado que os críticos de arte (também de vanguarda) teimam em ignorar, ou seja, que, nessa concepção estética, é o espaço institucional que faz a obra: por exemplo, um urinol igualzinho ao de Duchamp, se estiver no Pompidou, é arte; se estiver no banheiro de um boteco, é urinol mesmo, pode-se mijar nele à vontade.
É, portanto, diferente da Mona Lisa, que depois de roubada do Louvre, em 1911, e levada para um quarto de hotel na Itália, continuou a obra-prima que sempre foi. É que a chamada arte conceitual dispensa o fazer artístico e afirma que será arte tudo o que se disser que é arte, mas desde que o ponham numa galeria ou numa Bienal.
Ou seja, a essência da arte de vanguarda, que nasceu contra a institucionalização da arte, é contraditoriamente, a instituição; não está nas obras e, sim, no espaço institucionalizado em que ela é posta. Talvez por isso, a próxima Bienal de São Paulo não terá obras de arte: exibirá apenas o espaço institucional vazio, que as dispensa.


jan 4 2010

Bienal de Zeca Baleiro

Fabrizio Andriani

Desmaterializando a obra de arte do fim do milênio
Faço um quadro com moléculas de hidrogênio
Fios de pentelho de um velho armênio
Cuspe de mosca, pão dormido, asa de barata torta

Meu conceito parece, à primeira vista,
Um barrococó figurativo neo-expressionista
Com pitadas de arte nouveau pós-surrealista
calcado da revalorização da natureza morta

Minha mãe certa vez disse-me um dia,
Vendo minha obra exposta na galeria,
“Meu filho, isso é mais estranho que o cu da jia
E muito mais feio que um hipopótamo insone”

Pra entender um trabalho tão moderno
É preciso ler o segundo caderno,
Calcular o produto bruto interno,
Multiplicar pelo valor das contas de água, luz e telefone,
Rodopiando na fúria do ciclone,
Reinvento o céu e o inferno

Minha mãe não entendeu o subtexto
Da arte desmaterializada no presente contexto
Reciclando o lixo lá do cesto
Chego a um resultado estético bacana

Com a graça de Deus e Basquiat
Nova York, me espere que eu vou já
Picharei com dendê de vatapá
Uma psicodélica baiana

Misturarei anáguas de viúva
Com tampinhas de pepsi e fanta uva
Um penico com água da última chuva,
Ampolas de injeção de penicilina

Desmaterializando a matéria
Com a arte pulsando na artéria
Boto fogo no gelo da Sibéria
Faço até cair neve em Teresina
Com o clarão do raio da silibrina
Desintegro o poder da bactéria

Com o clarão do raio da silibrina
Desintegro o poder da bactéria

Este texto traduz perfeitamente a ditadura do conceitual (que ainda ousam chamar de arte contemporânea, apesar de seus quase 100 anos) na qual vivemos com essas patéticas Bienais e seus artistas charlatães e intelectuais de meia pataca. Com algumas raras exceções é claro.


dez 18 2009

Agora Gallery A Collective Exhibition December 3, 2009

Fabrizio Andriani

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dez 4 2009

Please Join us at Agora Gallery

Fabrizio Andriani

THURSDAY, DECEMBER 3, 2009 6-8PM

For the Opening of a Solo Exhibition in Our New Adjacent Gallery Space
and a Collective Exhibition in Our Main Gallery:

Ruth Gilmore Langs: Paint

Exhibition Dates: NOVEMBER 20, 2009 – MARCH 19, 2010

Ruth Gilmore LangsRuth Gilmore LangsRuth Gilmore Langs

Metamorphosis, The Color of Transformation
The Persistence of Form and The Rhythm of Color

Exhibition Dates: NOVEMBER 20, 2009 – DECEMBER 11, 2009

Fabrizio Andriani Emin Guliyev Joo Han Michael Indorato
Brian Reed  Marina Reiter  Jane Sandes  Mats Andersson István Csizmadia Sunil Howlader
Kristo (Christian Nicolas) Doug Simon  Sher Christopher Meredith Collins  Jim Lively Coco Masuda
John Nieman Vera Puig  Annie Seddon  Renata Cebular  
Álvaro Cuartango  Patrick Girod Anduin Vaid Melissa G. Watt

Agora Gallery
Location: 530 West 25th Street, New York
Hours: Tuesday – Saturday 11am-6pm
Email: info@agora-gallery.com 
Telephone: 212-226-4151 
Click here for directions • Click here for New York City Hotels


dez 4 2009

Repercusão da Exposição em NY

Fabrizio Andriani

Dear Fabrizio,

I would like to wish you a successful and enjoyable exhibition!

Your exhibition has been announced in prominent art publications distributed in New York. When your exhibition is over a copy of the advertisements will be included with the end of exhibition packet that you will be receiving.

In addition, please visit the following links to view sites where your exhibition has been listed.

Best Regards,

Lee Eagle
Gallery Assistant / Agora Gallery
http://www.agora-gallery.com/
Lee@Agora-Gallery.com

LINKS:

Comunidade News- http://www.comunidadenews.com/cultura/galeria-de-nova-iorque-traz-obras-de-dois-brasileiros-5577

Boletin de NY- http://www.boletindenewyork.com/Comuna.htm

24-7 Press Release- http://www.24-7pressrelease.com/press-release/life-meets-art-in-the-captivating-works-of-fabrizio-andriani-at-agora-gallery-125033.php

Topix- http://www.topix.com/br/curitiba/2009/11/life-meets-art-in-the-captivating-works-of-fabrizio-andriani-at-agora-gallery

Art Infohttps://www.artinfo.com/galleryguide/24225/10750/123343/agora-gallery-new-york/exhibition/metamorphosis/press_release/

Ariki Art- http://www.arikiart.com/art-exhibitions/2009/11/agora-gallery-presents-four-part-fine.html

Art Calendar- http://www.artcalendar.com/adlisting/index.asp

Art Cards- http://artcards..cc/newyork/shows/Recently-Opened/

Art Mesh- http://www.artmesh.org/events/2756

Art Perk- http://www.artperk.com/ListingDetail.aspx?li=978

Art Slant- http://www.artslant.com/global/events/show/78921-agora-gallery-presents-a-four-part-fine-art-exhibition

Art Forum- http://www.artforum.com/guide/admin/

Art Looker- http://www.artlooker.com/event_detail.aspx?event_Id=681

Citi Tour- http://cititour.com/NYC_Events/details.php?event=AGORA-GALLERY-PRESENTS-A-FOUR-PART-FINE-ART-EXHIBITION&section_id=6&event_id=17608

NYC City Guide- http://cityguideny.com/eventinfo.cfm?id=47747

City Events Calendar- http://cityeventscalendar.org/new-york/arts-entertainment-new-york/agora-gallery-presents-a-four-part-fine-art-exhibition/

Club Free Time- http://www.clubfreetime.com/vieweventdetails.asp?ID=102437

Culture Mob- http://culturemob.com/events/6061188-agora-gallery-presents-a-four-part-fine-art-exhibition-ny-new-york-manhattan-chelsea-10001-agora-gallery

Darien News Review- http://events.dariennews-review.com/manhattan-ny/venues/show/458349-agora-gallery

Event Setter- http://www.eventsetter.com/events/USA/New-York/New-York-City/Exhibitions-Openings-Screenings/event94624.html

Eventful- http://eventful.com/newyorkcity/events/agora-gallery-presents-/E0-001-026033847-8@2009112711

Event Lister- http://www.eventlister.com/E1273726

Gallery Direct- http://www.gallerydir.com/art-web/COMMUNITY/data/ACTION/SHOW/EVENTID/569/LINK/CALENDAR

Going- http://newyork.going.com/event-684907;AGORA_GALLERY_PRESENTS_A_FOUR_PART_ART_EXHIBITION#

Little Views- http://www.littleviews.com/home/events/viewEvents.cfm?evt=25932

Chelsea Gallery Map- http://chelseagallerymap.com/

NBC New York- http://events.nbcnewyork.com/manhattan-ny/events/show/89215267-agora-gallery-presents-a-four-part-fine-art-exhibition

Metro Mix- http://newyork.metromix.com/events/gallery_exhibit/agora-gallery-presents-a-chelsea/1586861/content

NY Daily News- http://events.nydailynews.com/manhattan-ny/events/show/89215267-agora-gallery-presents-a-four-part-fine-art-exhibition

NY Visitors Network- http://www.newyorkcityvisitorsnetwork.com/users/visitnewyork-cgi/guestcal.cgi?goback=http://visitnewyorkstate.net

NJ411- http://www.nj411.com/events/208162.html

Noo Experiences- http://experiences.noo.com/fun-things-to-do-in/New-York/Exhibitions-and-Galleries/Agora-Gallery-RUTH-GILMORE-LANGS-PAINT/843

NYCing- http://www.nycing.com/component/option,com_events/task,view_detail/agid,1041/

NYC.com- http://www.nyc.com/events/agora_gallery_presents_a_four_part_fine_art_exhibition.1045512/editorial_review.aspx

NYC Listings- http://tweetmeme.com/story/260921934/agora-gallery-presents-a-four-part-fine-art-exhibition-at-agora-gallery-friday-november-20-2009-upcoming

Outside In- http://outside.in/borough-park-brooklyn-ny/tags/Agora%20Gallery

Social Web- http://www.socialweb.net/Events/101543.lasso

Spraci- http://www.spraci.com/cgi-bin/event.cgi?x2new_york&&AgoraGallery&150053&102001257665847146M

Upcoming- http://upcoming.yahoo.com/event/4877659/?ps=7

Your Event Hub- http://www.youreventhub.com/events/208173.html

Your Find It- http://events.yourfindit.com/events_view.aspx?eventid=3890

Zvents- http://www.zvents.com/manhattan-ny/events/show/89215266-agora-gallery-presents-a-four-part-fine-art-exhibition

When.com- http://www.when.com/manhattan-ny/events/show/89215268-agora-gallery-presents-a-four-part-fine-art-exhibition

AgoraArtBlog- http://agoraartgalleryblog.com/

Agora Facebook- http://www.facebook.com/home.php?#/event.php?eid=172679703595&index=1

The New York Art World- http://thenewyorkartworld.com/exhibitions/

Portal RPC – Gazeta do Povo- http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/cadernog/conteudo.phtml?id=941971&ch=